<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5855971258372587283</id><updated>2011-04-21T10:48:24.431-07:00</updated><title type='text'>Teatro da Batota</title><subtitle type='html'>Tudo começou numa sala de jogo...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://teatrodabatota.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5855971258372587283/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatrodabatota.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Batoteiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18087573811967584267</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_HFUef5JLsXE/SQh_jGPxyVI/AAAAAAAAAAY/8bBYHUC33eg/S220/images.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>3</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5855971258372587283.post-1350103840549683106</id><published>2009-04-01T01:20:00.000-07:00</published><updated>2009-04-01T01:57:24.951-07:00</updated><title type='text'>Representação do Auto da Índia</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HFUef5JLsXE/SdMk0U4Rt4I/AAAAAAAAABQ/4xXLdYmWrwA/s1600-h/Auto%2Bda%2B%25C3%258Dndia%2B1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5319636066231236482" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 266px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_HFUef5JLsXE/SdMk0U4Rt4I/AAAAAAAAABQ/4xXLdYmWrwA/s400/Auto%2Bda%2B%25C3%258Dndia%2B1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ff9900;"&gt; AUTO DA ÍNDIA em 2008 Braga, Grupo de Teatro: "ESCOLA DA NOITE"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As roupas parecem-me uma boa solução, e a escada de fundo também. Como eu gostaria de ter uma escada ao fundo para subir e descer, dava ideia do corropio da casa da ama como entradas e saídas constante de homens! Veja-se agora a diferença para uma representação de época, que é a nossa opção...representar como eles no século XVI o fariam!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HFUef5JLsXE/SdMks4BXbuI/AAAAAAAAABI/witFHcgvv-M/s1600-h/auto+da+india.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5319635938225647330" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 302px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_HFUef5JLsXE/SdMks4BXbuI/AAAAAAAAABI/witFHcgvv-M/s400/auto+da+india.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:130%;color:#ff9900;"&gt;&lt;strong&gt;Repare-se que  a representação tem como "cenário" o próprio Tejo e as caravelas que partiam para a Índia, tema da peça.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ff9900;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ff6600;"&gt;Alguns tópicos sobre o Auto e as Personagens;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_HFUef5JLsXE/SdMkD0jaVAI/AAAAAAAAABA/OJ135wA_Iy4/s1600-h/Auto%2Bda%2B%25C3%258Dndia%2B1.jpg"&gt;&lt;/a&gt;O Auto da Índia (1509), apresentado em Almada perante a rainha D. Leonor , é o primeiro texto teatral onde é representada uma intriga, uma história completa, e actual. Se o tema do adultério é intemporal, as circunstâncias "deste" adultério são as da primeira década do século XVI, quando, por trás da glória e da fachada épica da expansão ultramarina, era já possível perceber as profundas alterações, nem todas positivas, que essa expansão estava a provocar na sociedade portuguesa. A mesma ideia será expressa sessenta anos mais tarde por Camões, no episódio do "Velho do Restelo".Há outros aspectos que distinguem este auto dos anteriores. Além de ser o primeiro a contar uma intriga, com princípio e fim, é também a primeira "farsa" escrita por &lt;a href="http://pwp.netcabo.pt/0511134301/vicente.htm"&gt;Gil Vicente&lt;/a&gt; e a primeira das suas peças escrita maioritariamente em português. No Auto da Índia a única personagem a falar em castelhano é o "Castelhano", com o objectivo óbvio de conseguir o efeito de real. Por último, é também o primeiro auto a pôr em cena personagens femininas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name="estrut"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ff9900;"&gt;&lt;strong&gt;Estrutura interna &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://pwp.netcabo.pt/0511134301/autindia.htm#inicio#inicio"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A 1ª parte corresponde à fase de expectativa da Ama, relativamente à partida ou não do Marido, e à distensão que se segue à confirmação da saída da armada e que ela aproveita para confessar a sua predisposição ao adultério. Vai até ao verso 96. A 2ª parte é a fase do adultério. Sucessivamente, entram em cena os pretendentes, Castelhano e Lemos; o adultério consuma-se; a Ama revela, sem qualquer escrúpulo ou pudor, toda a sua leviandade, falsidade e imoralidade.&lt;br /&gt;A partir do verso 393 entramos na 3ª parte, que corresponde à chegada do Marido. Desaparecem as condições que propiciaram o adultério e a Ama leva ao auge a sua hipocrisia.&lt;br /&gt;Poderá parecer estranho que o crime da Ama fique impune, mas temos que reconhecer que o seu castigo destruiria o efeito cómico característico da farsa. Por outro lado, parece sensato pensar que o objectivo de &lt;a href="http://pwp.netcabo.pt/0511134301/vicente.htm"&gt;Gil Vicente&lt;/a&gt; não era punir o adultério, mas sim preveni-lo. A mensagem implícita parece ser esta: o castigo do infractor (a Ama) não repara a falta (o adultério); o que interessa é eliminar as condições objectivas que propiciam a falta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name="espaco"&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ff9900;"&gt;Espaço &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ff9900;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://pwp.netcabo.pt/0511134301/autindia.htm#inicio#inicio"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Toda a acção decorre num único espaço - a casa da Ama. Os elementos textuais, no entanto, permitem subdividi-lo em três: a câmara da Ama, onde decorre a maior parte da acção; a cozinha, onde se esconde o Lemos em determinado momento e que é referida no discurso outras vezes; e o quintal, onde o Castelhano aguarda, noite fora, autorização para entrar.&lt;br /&gt;Por razões de ordem técnica, facilmente compreensíveis, o espaço representado, numa peça de teatro, é sempre reduzido e neste caso é único. &lt;a href="http://pwp.netcabo.pt/0511134301/vicente.htm"&gt;Gil Vicente&lt;/a&gt; não chegou a conhecer a estruturação das peças em actos distintos, que permitem a alternância de espaços diferentes. Daí que tenha concebido a intriga de forma a poder decorrer contínua no mesmo espaço. Para compensar essa limitação, atribuiu à personagem da Moça, além de outras, a função de mensageira: é ela que vai ao exterior e de lá traz as notícias que modificam o desenrolar da acção.&lt;br /&gt;Naturalmente, o espaço aludido é bem mais vasto: estende-se à cidade, ao mar, à Índia, para onde o Marido se ausenta e de onde regressa no final da representação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name="tempo"&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ff9900;"&gt;Tempo &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ff9900;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://pwp.netcabo.pt/0511134301/autindia.htm#inicio#inicio"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O tratamento do tempo, no Auto da Índia, constituía para &lt;a href="http://pwp.netcabo.pt/0511134301/vicente.htm"&gt;Gil Vicente&lt;/a&gt; um problema difícil. O facto de a acção decorrer de forma contínua num mesmo espaço sugere que os acontecimentos se sucedem ao longo de um período de cerca de vinte e quatro horas. O Marido ausenta-se de madrugada; logo a seguir o Castelhano visita a Ama; o Castelhano sai e, pouco depois, Lemos chega e fica para jantar e passar a noite; entretanto, o Castelhano regressa e aguarda no quintal, durante a noite, autorização para entrar até desistir e ir embora; no dia seguinte, de madrugada o Lemos vai embora e pouco depois o Marido regressa.&lt;br /&gt;No entanto, o tempo representado corresponde, não a um dia e uma noite, mas a um período de cerca de três anos. É o discurso das personagens, principalmente da Moça, que faz a marcação do decorrer do tempo e leva o público a rejeitar a duração de vinte e quatro horas. Logo de início somos informados que o Marido partiu para uma viagem marítima e deixou à mulher mantimentos para três anos:               Leixou-lhe pera tres annos               Trigo, azeite, mel e panos.&lt;br /&gt;A confirmação vem-nos pela boca da Ama, quando recebe Lemos e lhe diz que o marido se ausentou para a Índia (v. 238). Como na época a duração média de uma viagem de ida e volta à Índia era de dois e meio a três anos, desfaz-se de vez, na mente dos espectadores, a impressão de que o tempo representado se reduz, neste momento, a algumas horas.&lt;br /&gt;Numa fase mais avançada da representação é a Moça que vai marcando o decorrer do tempo e prenunciando o regresso do Marido, dizendo:               &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;(...) agora vai em dous annos               &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;Que eu fui lavar os panos               &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;Alem do chão d' Alcami;               &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;E logo partiu a armada (...)                               &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;Tres annos ha               &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;Que partio Tristão da Cunha. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ff9900;"&gt;Personagens&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name="persona"&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#00cccc;"&gt;Ama &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffcc00;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://pwp.netcabo.pt/0511134301/autindia.htm#inicio#inicio"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É a personagem principal, a única que permanece em cena do início ao fim da representação. É em torna dela que gira toda a acção. Desse modo é fácil ao público (e ao leitor) perceber que o objectivo fundamental do autor é criticar o comportamento imoral das esposas na ausência dos maridos. No entanto, ao mandar o Marido para a Índia, &lt;a href="http://pwp.netcabo.pt/0511134301/vicente.htm"&gt;Gil Vicente&lt;/a&gt;, implicitamente, introduz um segundo aspecto crítico: o efeito perverso que a expansão ultramarina produzia na ordem social e moral do país, facilitando a degradação moral do ambiente familiar.&lt;br /&gt;A Ama apresenta-se como "moça e fermosa" e serve-se disso como justificação para o seu comportamento imoral:     &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;          &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#00cccc;"&gt;Est' era bem graciosa,              &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#00cccc;"&gt; Quem se ve moça e fermosa              &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#00cccc;"&gt; Esperar pola ira ma.                              &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#00cccc;"&gt; Partem em Maio daqui,               &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#00cccc;"&gt;Quando o sangue novo atiça:               &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#00cccc;"&gt;Parece-te que é justiça? &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Revela-se uma mulher sensual e leviana, incapaz de controlar os seus desejos sexuais durante a ausência do marido. Essa licenciosidade leva-a a aceitar sem dificuldade o assédio dos dois namorados (Castelhano e Lemos); leva-a mesmo a estimular as propostas imorais dos dois:       &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;       &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#00cccc;"&gt; Vós querieis ficar cá?              &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#00cccc;"&gt; Agora he cedo ainda;              &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#00cccc;"&gt; Tornareis vós outra vinda,               &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#00cccc;"&gt;E tudo bem se fará. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;                             &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#00cccc;"&gt;Que foi do vosso passear,               &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#00cccc;"&gt;Com luar e sem luar,              &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#00cccc;"&gt; Toda a noite nesta rua? &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mostra-se desde o início uma mulher falsa, mentirosa e hipócrita. Engana, não apenas o marido, mas os próprios amantes, escondendo a cada um deles a existência do outro. Colocando em cena, não um, mas dois amantes, o autor sublinha a licenciosidade e leviandade da Ama.&lt;br /&gt;E a sua hipocrisia é evidente: apesar do comportamento manifestamente imoral, procura por todos os meios preservar a imagem pública de uma mulher honesta e virtuosa:    &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;          &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#00cccc;"&gt; Foi-se à India meu marido,              &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#00cccc;"&gt; E depois homem nacido               &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#00cccc;"&gt;Não veio onde vós cuidais;                               &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#00cccc;"&gt;A vezinhança que dirá,             &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#00cccc;"&gt;  Se meu marido aqui não 'stá,               &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#00cccc;"&gt;E vos ouvirem cantar? &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Essa hipocrisia torna-se ainda mais evidente com o regresso do marido. Nessa altura garante-lhe que sofreu muito a sua ausência, que rezou pela sua segurança e permaneceu esses três anos recatadamente em casa, aguardando o seu regresso. Vai ao ponto de manifestar ciúme pelas presumíveis aventuras amorosas do marido na Índia.&lt;br /&gt;A imagem que ela procura transmitir para o exterior, para o marido e para os próprios amantes contrasta com o seu efectivo comportamento. Só nos monólogos e nos diálogos com a Moça é que ela revela sem disfarce a sua verdadeira maneira de ser.&lt;br /&gt;E é também uma mulher extremamente manhosa e habilidosa. Consegue esconder o seu comportamento leviano do marido, mas, de certo modo, também dos amantes. Quando o Castelhano a procura e ela está com o Lemos em casa, consegue esconder a existência de cada um deles do outro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#339999;"&gt;&lt;strong&gt;Moça&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como personagem-tipo, representa os dependentes domésticos, obrigados a submeter-se aos caprichos e maus tratos dos patrões, que reagem a essa situação ironicamente, observando e criticando os comportamentos incorrectos dos seus senhores.&lt;br /&gt;Mas esta personagem tem, na economia do auto, um estatuto especial.&lt;br /&gt;Por um lado, é uma personagem, ao mesmo nível das outras, na medida em que intervém no desenrolar dos acontecimentos. Assume então o papel de confidente e amiga.&lt;br /&gt;A sua presença permite à Ama revelar o seu verdadeiro carácter, que ela esconde, quer do marido, quer dos amantes. É em conversa com ela que a Ama manifesta o seu desagrado pela hipótese de o marido, afinal, não partir; o desejo de que ele não regresse da Índia; as suas infidelidades anteriores, bem como a sua intenção de o trair enquanto estiver na Índia.&lt;br /&gt;Como amiga, mostra preocupação com o seu estado de espírito, quando, na primeira cena, a encontra desolada; procura tranquilizá-la, apressando-se a saber se o Marido, afinal, parte ou não parte; atreve-se mesmo a aconselhá-la, alertando-a para a fanfarronice e o carácter pouco recomendável do Castelhano:    &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;          &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#339999;"&gt;Jesu! Como he rebolão!             &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#339999;"&gt;  Dae, dae ó demo o ladrão.               (...)               &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#339999;"&gt;Não vos fieis vós naquelle,               &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#339999;"&gt;Porque aquillo he refião. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas ela coloca-se também no papel de espectadora. Observa os comportamentos da Ama, diverte-se com eles e julga-os severamente. Essa crítica é feita quase sempre em apartes.&lt;br /&gt;Desmente as acusações feitas pela Ama ao marido:    &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;         &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#339999;"&gt; Todas ficassem assi.              &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#339999;"&gt; Leixou-lhe pera tres annos            &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#339999;"&gt;   Trigo, azeite, mel e panos. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Condena o seu comportamento devasso, a sua manha e hipocrisia:   &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;            &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#339999;"&gt;Quantas artes, quantas manhas,              &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#339999;"&gt; Que sabe fazer minha ama!              &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#339999;"&gt; Hum na rua, outro na cama! &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Manifesta satisfação, com um certo sabor de vingança pelas humilhações sofridas, quando o regresso do Marido põe termo aos arranjos da Ama:         &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;     &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#339999;"&gt; Raivar, que este he outro jôgo. &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando interrogada pela Ama sobre os seus apartes, responde-lhe ironicamente, declarando em voz alta o contrário do que transmitira ao público, o que produz um imediato efeito cómico.&lt;br /&gt;A par disso tudo, funciona como intermediária entre o interior e o exterior. É ela que sai, logo no início, para confirmar a partida do marido. É ela, igualmente, que traz da rua a notícia do seu regresso. Com a acção concentrada num espaço único e limitado (a câmara, a cozinha e o quintal da casa da Ama) era necessária uma personagem que funcionasse como mensageira e introduzisse no diálogo as notícias que suscitam alterações dramáticas no desenrolar da intriga.&lt;br /&gt;Além disso, como já foi referido, é a ela que o autor atribui a função de marcar o decorrer do tempo representado: primeiro, prenunciando a duração de três anos; mais tarde, anunciando efectivamente o decorrer do tempo (dois anos..., três anos...).&lt;br /&gt;É uma mulher de idade indefinida; subserviente, por necessidade; fiel à sua ama, que nunca denuncia; perspicaz e atenta aos comportamentos da sua senhora; sensata, pois não se deixa iludir pelo aparato e as falas pomposas do Lemos e do Castelhano; crítica, é a única personagem que mostra ser capaz de distinguir claramente o certo do errado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffcc00;"&gt;&lt;strong&gt;Castelhano&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É uma personagem de origem social humilde, provavelmente um vendedor ambulante (é certamente a ele que a Ama se refere, quando fala no "castelhano vinagreiro"). Oportunista, procura imediatamente seduzir a Ama, assim que se apercebe da ausência do marido. Utiliza como estratégia de sedução a lisonja e um discurso empolado, retórico, excessivo e inadequado ao seu estatuto humilde. Ao mesmo tempo revela-se um fanfarrão, exagerando a sua valentia. O excesso, quer do discurso, quer da fanfarronice, tornam-no ridículo, perante o público e perante a Ama.&lt;br /&gt;A imagem de homem culto, civilizado, que procura transmitir com a sua pomposa declaração (culto da aparência), é desfeita na sua segunda intervenção, ao reagir com grande violência verbal, quando se sente rejeitado pela Ama, impossibilitada de o receber, devido à presença de Lemos.&lt;br /&gt;O modo como se veste revela a sua origem humilde, que ele procura disfarçar, insinuando ser homem de posses, apesar do aspecto que apresenta. Através dele (e de Lemos, como veremos), &lt;a href="http://pwp.netcabo.pt/0511134301/vicente.htm"&gt;Gil Vicente&lt;/a&gt; aproveita para introduzir um outro tópico de crítica - o culto das aparências, típico duma sociedade onde os bens materiais são já o valor dominante:    &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;           &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffcc00;"&gt;Que aunque tal capa me veis,               &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffcc00;"&gt;Tengo mas que pensareis:              &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffcc00;"&gt; Y no lo tomeis en grueso. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Embora não se sinta nada impressionada com a apresentação espalhafatosa do castelhano, a Ama aceita-lhe a corte e marca-lhe um encontro amoroso, o que serve para acentuar o seu carácter leviano.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#cc33cc;"&gt;&lt;strong&gt;Lemos&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Lemos, tal como o Castelhano, é introduzido na peça para caracterizar a Ama como uma mulher leviana e adúltera.&lt;br /&gt;Trata-se de um escudeiro pobre, que procura esconder a decadência, com modos delicados e um discurso galanteador. Também ele documenta o culto das aparências, com mais sucesso do que o Castelhano, visto que o estatuto social superior e as suas maneiras delicadas seduzem a Ama e levam-na a preferi-lo ao Castelhano.&lt;br /&gt;Ostenta um desafogo material que não engana a Moça, quando presunçosamente a manda fazer compras, pois de imediato rejeita os alimentos caros e dá-lhe muito pouco dinheiro para as despesas.   &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;            &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc33cc;"&gt;Vá esta moça à ribeira               &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc33cc;"&gt;E traga-a ca toda inteira,              &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc33cc;"&gt; Que toda s' ha de gastar. &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Também ele procura (e consegue) aproveitar-se da&lt;/span&gt; ausência do Marido para obter os favores sexuais da Ama, que, aliás, mostra ter&lt;/span&gt; percebido há muito a corte distante de Lemos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;Marido&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Marido está fisicamente ausente, ao longo da maior parte da representação; só no final entra em cena, encerrando desse modo o conflito dramático. De facto, a sua ausência é condição essencial para que a intriga se desenvolva no sentido pretendido pelo autor: é ela que cria as condições necessárias para que a leviandade da Ama se transforme em adultério, o que, provavelmente, já acontecera antes:    &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;          &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt; Hi se vai elle a pescar              &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt; Meia legoa polo mar,               &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Isto bem o sabes tu; &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No contexto, a expressão "Isto bem o sabes tu" perde toda a ambiguidade e fica claro que significa "bem sabes que lhe sou infiel".&lt;br /&gt;Podemos talvez falar de uma "ausência-presença", já que a sua existência condiciona o desenrolar da acção: é o seu afastamento que permite os avanços amorosos do Castelhano e do Lemos e o adultério da Ama, do mesmo modo que o seu regresso põe fim (ao menos por algum tempo) a essa situação.&lt;br /&gt;Representa todos aqueles portugueses com experiência marítima, pescadores ou marinheiros, que se alistavam nas armadas para a Índia, na mira de um enriquecimento fácil, impossível no Reino. A Índia constituía na época uma miragem, um mundo de riquezas, aparentemente ao alcance de quem tivesse coragem para enfrentar os riscos e desconfortos da viagem.&lt;br /&gt;Na mira do lucro fácil dispunham-se a correr todos os riscos: viagens demoradas e perigosas; doenças fatais; tempestades; climas estranhos e doentios; combates com os habitantes locais. Para os que conseguiam regressar, quase sempre o lucro era reduzido. A própria personagem o reconhece, dizendo               Se não fôra o capitão,               Eu trouxera, a meu quinhão,               Hum milhão vos certifico.&lt;br /&gt;Esse desejo insensato de enriquecer rapidamente tem consequências. Com o seu chefe afastado, algumas famílias passam necessidades. Não foi isso que aconteceu com a Ama, mas a sua acusação, embora mentirosa, alerta-nos para uma realidade que deveria ser muito frequente:               Leixou-me aquelle fastio               Sem ceitil.&lt;br /&gt;&lt;a name="comico"&gt;&lt;/a&gt;Cómico &lt;a href="http://pwp.netcabo.pt/0511134301/autindia.htm#inicio#inicio"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Sendo o Auto da Índia uma farsa, um dos objectivos do autor era divertir o seu público, recorrendo para isso ao cómico.&lt;br /&gt;Tal como em muitas outras peças de &lt;a href="http://pwp.netcabo.pt/0511134301/vicente.htm"&gt;Gil Vicente&lt;/a&gt;, é possível encontrar aqui três tipos de cómico.&lt;br /&gt;O cómico de linguagem resulta da exploração de certas virtualidades da língua; aquilo que se diz e o modo como se diz suscita o riso no espectador. No Auto da Índia está presente ao longo de todo o texto, por exemplo em algumas expressões insultuosas dirigidas pela Ama à Moça, mas sobretudo na fala do Castelhano, pomposa, exagerada, cheias de expressões de cunho literário, que, por inadequadas às personagens e à situação, provocam o riso na Ama e no público.&lt;br /&gt;O cómico de carácter resulta da própria maneira de ser e de se comportar de determinadas personagens. O Castelhano, pelo seu exagero, pela sua fanfarronice, pelo contraste entre aquilo que diz e aquilo que é constitui um bom exemplo desse tipo de cómico. Também o Marido, pelo modo ingénuo como aceita todas as declarações da Ama, exemplifica este tipo de cómico. Na personagem de Lemos é possível igualmente encontrar o cómico de carácter, ao apresentar-se com um chapéu ("sombrero") excessivamente grande e ao ter que revelar a sua sovinice perante o hábil interrogatório da Moça. A própria Ama, pela hipocrisia com que fala ao Marido e finge ciúmes, documente também este tipo de cómico.&lt;br /&gt;O cómico de situação surge quando, no decorrer da representação, uma personagem é colocada numa posição ridícula. É o que acontece com o Castelhano, obrigado a aguardar no quintal, ao frio, durante a noite, autorização para entrar em casa da Ama. O mesmo acontece, quando Lemos é constrangido a esconder-se na cozinha para que a Ama possa tranquilamente falar com o Castelhano.&lt;br /&gt;Por outro lado, &lt;a href="http://pwp.netcabo.pt/0511134301/vicente.htm"&gt;Gil Vicente&lt;/a&gt; lança mão de determinados recursos para obter efeitos cómicos. Consegue-o pela ironia, sobretudo nas falas da Moça, ao fazê-la dizer em voz alta à Ama o contrário do que tinha declarado no aparte anterior. Recorre igualmente à caricatura, que consiste em exagerar um ou mais traços específicos de uma dada personagem, como acontece no caso do Castelhano. Por fim lança mão da sátira, isto é, da crítica divertida dos comportamentos humanos.&lt;br /&gt;&lt;a name="critica"&gt;&lt;/a&gt;Crítica social &lt;a href="http://pwp.netcabo.pt/0511134301/autindia.htm#inicio#inicio"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Conforme já vimos, com esta farsa &lt;a href="http://pwp.netcabo.pt/0511134301/vicente.htm"&gt;Gil Vicente&lt;/a&gt; procura criticar situações e comportamentos sociais. Quais são eles?&lt;br /&gt;Degradação moral da família, traduzida no adultério, facilitado pela ausência prolongada dos maridos envolvidos na aventura colonial&lt;br /&gt;Motivações egoístas e interesseiras da expansão ultramarina&lt;br /&gt;Materialismo da sociedade, traduzido na busca de um enriquecimento rápido&lt;br /&gt;Culto das aparências, com as pessoas a procurarem ostentar uma posição e uma riqueza que, de facto, não possuem&lt;br /&gt;&lt;a name="actual"&gt;&lt;/a&gt;Carácter documental e actualidade do auto &lt;a href="http://pwp.netcabo.pt/0511134301/autindia.htm#inicio#inicio"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O valor documental deste auto é inegável e resulta evidente das anotações anteriores. Cada uma das personagens representa um tipo social, com seu comportamento próprio e seus defeitos, que são habilmente ridicularizados. O texto permite-nos apreender a outra face da gesta dos Descobrimentos, a face menos heróica, mais prosaica, pondo a nu as motivações materialistas dos agentes da expansão e os efeitos perversos que ela tinha sobre a estrutura familiar e social. Nesse aspecto podemos considerá-la como o contraponto d' Os Lusíadas.&lt;br /&gt;Por outro lado, há no texto aspectos intemporais que lhe concedem uma inegável actualidade. Descontados os aspectos circunstanciais, as críticas de &lt;a href="http://pwp.netcabo.pt/0511134301/vicente.htm"&gt;Gil Vicente&lt;/a&gt; são perfeitamente actuais: é actual a infidelidade no casamento, a falta de respeito pelos compromissos assumidos; é actual o materialismo desenfreado, a hipervalorização dos bens materiais em detrimento de valores mais nobres; actual é também a crítica da ostentação, do culto das aparências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5855971258372587283-1350103840549683106?l=teatrodabatota.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatrodabatota.blogspot.com/feeds/1350103840549683106/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5855971258372587283&amp;postID=1350103840549683106' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5855971258372587283/posts/default/1350103840549683106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5855971258372587283/posts/default/1350103840549683106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatrodabatota.blogspot.com/2009/04/representacao-do-auto-da-india.html' title='Representação do Auto da Índia'/><author><name>Batoteiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18087573811967584267</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_HFUef5JLsXE/SQh_jGPxyVI/AAAAAAAAAAY/8bBYHUC33eg/S220/images.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_HFUef5JLsXE/SdMk0U4Rt4I/AAAAAAAAABQ/4xXLdYmWrwA/s72-c/Auto%2Bda%2B%25C3%258Dndia%2B1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5855971258372587283.post-6533602000667589464</id><published>2008-11-20T09:35:00.000-08:00</published><updated>2008-11-20T10:00:11.545-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;"O Mendigo ou o Cão Morto" &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;Imperador-&lt;/em&gt; Não guardo contra ti qualquer rancor. Isso também é banal?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;Mendigo-&lt;/em&gt; É. Porque não me podes fazer mal nenhum.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;Imperador-&lt;/em&gt; Posso meter-te numa masmorra.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;Mendigo-&lt;/em&gt; É fresca?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;Imperador-&lt;/em&gt; Nunca lá entra sol.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;Mendigo-&lt;/em&gt; Não há sol. Tens má memória?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;Imperador-&lt;/em&gt; Também te posso mandar matar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;Mendigo-&lt;/em&gt; Então deixará de chover na minha cabeça, os insectos vão dispersar-se, o meu estômago vai sossegar e haverá o maior silêncio que alguma vez gozei.(...)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Excerto da peça " O Mendigo ou o Cão Morto " de Beltroit Brecht.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;strong&gt;Brevemente em exibição. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5855971258372587283-6533602000667589464?l=teatrodabatota.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatrodabatota.blogspot.com/feeds/6533602000667589464/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5855971258372587283&amp;postID=6533602000667589464' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5855971258372587283/posts/default/6533602000667589464'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5855971258372587283/posts/default/6533602000667589464'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatrodabatota.blogspot.com/2008/11/o-mendigo-ou-o-co-morto.html' title=''/><author><name>Batoteiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18087573811967584267</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_HFUef5JLsXE/SQh_jGPxyVI/AAAAAAAAAAY/8bBYHUC33eg/S220/images.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5855971258372587283.post-1845080123083189276</id><published>2008-10-28T14:56:00.000-07:00</published><updated>2008-10-29T08:03:40.113-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_HFUef5JLsXE/SQeKsZW9NrI/AAAAAAAAAAM/H5ELVlKPR0U/s1600-h/images.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5262327184931763890" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 100px; CURSOR: hand; HEIGHT: 108px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_HFUef5JLsXE/SQeKsZW9NrI/AAAAAAAAAAM/H5ELVlKPR0U/s320/images.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#993300;"&gt;Queres fazer Teatro?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Se gostas de teatro e queres dar largas à tua imaginação, junta-te a nós!!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Somos um Grupo de Teatro Amador, sem fins lucrativos, e estamos à procura de pessoas que queiram embarcar na viagem mágica que é representar!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Estamos na Sociedade Recreativa "Os Unidos de Leceia" (Concelho de Oeiras) às terças e quintas das 20:30h às 23:00h.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5855971258372587283-1845080123083189276?l=teatrodabatota.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://teatrodabatota.blogspot.com/feeds/1845080123083189276/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5855971258372587283&amp;postID=1845080123083189276' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5855971258372587283/posts/default/1845080123083189276'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5855971258372587283/posts/default/1845080123083189276'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://teatrodabatota.blogspot.com/2008/10/queres-fazer-teatro-se-gostas-de-teatro.html' title=''/><author><name>Batoteiros</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18087573811967584267</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_HFUef5JLsXE/SQh_jGPxyVI/AAAAAAAAAAY/8bBYHUC33eg/S220/images.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_HFUef5JLsXE/SQeKsZW9NrI/AAAAAAAAAAM/H5ELVlKPR0U/s72-c/images.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry></feed>
